sexta-feira, 24 de julho de 2009

EM TERMOS, EU

A porta entreaberta.
A escada iluminada até a metade.
Um vulto.
Metade: desconfio quem seja.
A outra: desconheço.
Um espelho com um corte ao meio.
Aproximo-me dele à meia luz.
Um espelho quebrado.
Uma imagem desfocada.
Ali, as duas sombras saem de mim.

domingo, 12 de julho de 2009

Perfume

Perfumosa,
Rosa.
Sinto seu perfume por alguns minutos,
Mas, logo a seguir, você o recolhe.
E ainda acha graça.

Vagarosa
Rosa.
Você demora.
No aparecer e no desaparecer.
E eu tardo também, caminhando pelos roserais.

A procura de eternizar seu perfume em mim.

domingo, 28 de junho de 2009

Escorregadio

Difuso.

Tudo ficou pra depois de amanhã.

Conserta o seu relógio.

Volta os ponteiros.

Enrola o tempo de não nós.

Bússola equivocada.

Errou a direção.

Aqui do alto é difícil não temer a queda.

O chão parece longe, mas é logo ali.

Para isso, é só cair.

E para cair, basta um segundo.

sábado, 27 de junho de 2009

Gica

Um lado.

Um mar.

Distâncias infinitas.

Outro lado.

Mas está aqui dentro.

Ainda ouço suas gargalhadas.

Sua amizade navega meu coração.

Dentro.

Muito além-mar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

AFASTAMENTO

Sempre fugi de tudo.
Primeiro, fugi das coisas.
Depois, fugi da escola.
Veio então a minha fuga das palavras.
A fuga do que conhecia.
A fuga do mistério.
A fuga do amor.
E então, fugi das pessoas, todas.

Foi quando eu achei que já não poderia fugir mais de nada e de ninguém.
Que comecei a fugir de mim mesma.

Travas

Entraves.
Obstáculos.
Impecilhos.
Armadilhas.
No meio do caminho:
O não saber.

Ei, você:
Destrave, por favor!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Destino ação.

Distraidamente, sigo pela estrada recolhendo partes de um quebra-cabeça.
São pecinhas miudinhas, e num primeiro momento não consigo identificar quantas s(er)ão...
Algumas parecem tristes, outras alegres, outras confusas, mais algumas inconstantes...
Enfim, são muitas e diversas, mas vão se compondo em um todo que não me é totalmente inteligível.
Mas que também não me é estranho por completo.
Dizem respeito ao que fui e, portanto, ao que sou.
Mudo a estrada e outras pecinhas se recompõem a minha volta.
Enquanto não as toco elas ainda são mutáveis.
Quando as alcanço elas passam a ser os traços de meu caminho trilhado.
São aquilo que fiz.
Resultados de minhas escolhas.
São minhas grandes descobertas por um caminho de múltiplas possibilidades encobertas.
Refletem a construção de um processo contínuo até o último suspiro.
Este advindo da última pecinha encontrada. Até esta, sigo colhendo nesse jardim instável, uma a uma, cada pecinha.