Pedaços de palavras.
Metades de frases.
Parágrafos entrecortados.
Discursos divididos.
Incompreensão.
domingo, 4 de outubro de 2009
Releituras
Parece que tudo que leio me remete a uma vida que quis viver, mas não vivi. Viagens que evitei, beijos que não dei, abraços que perdi, risadas que esqueci de dar, momentos únicos que não fotografei e que se perderam no instante em que não lhes dei atenção e, clic, foram-se.
Tenho uma ansiedade tremenda de tornar essa vida sonhada em outra, real. Mas não sei se faz sentido buscar algo que já fez sentido em outro lugar. Que direito teria eu de tirar a Alice do seu país das Maravilhas só para dizer a ela que estou atrasada, estou atrasada, estou atrasada... De que adiantaria correr para Cabul se não dá mais tempo de evitar o que já fizeram àquele menino, Hassan. E se eu fosse Amir, o que eu faria? Como atingir a redenção almejada? Todos os nossos atos são passíveis de redenção? Poderia eu viver um amor como o de Tereza e Tomás se Karenin não estivesse aqui?
Tenho medo. Tenho medo de morrer de repente, como algumas personagens morrem em muitos livros, sem a menor explicação e, pior, sem terem feito o que haviam programado para fazer.
Mas enfim, quem faz tudo que programou? Tudo aquilo que sonhou? Dizem que 10% ou menos do que sonhamos se realiza. Dizem não. Acabei de inventar essa estatística. E não sei se acredito nela, assim como não sei se acredito em estatística alguma.
Quem me fará crer?
Sigo lendo, relendo, lendo, relendo, lendo, relendo...
Tenho uma ansiedade tremenda de tornar essa vida sonhada em outra, real. Mas não sei se faz sentido buscar algo que já fez sentido em outro lugar. Que direito teria eu de tirar a Alice do seu país das Maravilhas só para dizer a ela que estou atrasada, estou atrasada, estou atrasada... De que adiantaria correr para Cabul se não dá mais tempo de evitar o que já fizeram àquele menino, Hassan. E se eu fosse Amir, o que eu faria? Como atingir a redenção almejada? Todos os nossos atos são passíveis de redenção? Poderia eu viver um amor como o de Tereza e Tomás se Karenin não estivesse aqui?
Tenho medo. Tenho medo de morrer de repente, como algumas personagens morrem em muitos livros, sem a menor explicação e, pior, sem terem feito o que haviam programado para fazer.
Mas enfim, quem faz tudo que programou? Tudo aquilo que sonhou? Dizem que 10% ou menos do que sonhamos se realiza. Dizem não. Acabei de inventar essa estatística. E não sei se acredito nela, assim como não sei se acredito em estatística alguma.
Quem me fará crer?
Sigo lendo, relendo, lendo, relendo, lendo, relendo...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
E se sesse?
Muitas e muitas vezes volto àquela cadeira. Estou sentada a sua frente, imóvel. Esperando as palavras que sei que não quero ouvir. Inerte na iminência de viver o que não planejei para nós. Sentindo escorrer pela minha face toda a esperança de que eu tivesse entendido tudo errado. Esperando que o seu silêncio dissesse outra coisa. Ou que pelo menos suas palavras contradissessem o seu silêncio de dias.
Por todas as vezes que ali volto em pensamento, desejo ter a força que não tive quando de corpo presente ali estive.
Será tarde para perguntar?
Segura a minha mão?
Caminho, passos largos, com estas dúvidas. E quando vejo, já estou sentada novamente naquela cadeira.
Por todas as vezes que ali volto em pensamento, desejo ter a força que não tive quando de corpo presente ali estive.
Será tarde para perguntar?
Segura a minha mão?
Caminho, passos largos, com estas dúvidas. E quando vejo, já estou sentada novamente naquela cadeira.
Sobre vida.
Meus sapatos estão enlameados. Trazem as marcas do último caminho que trilhei. Um caminhar difícil, entre o prosseguir e o afundar. Cada passo, uma decisão. O andar dificultado por troncos, restos de animais, plantas e pela própria lama. A cabeça, buscando escapar de todos esses obstáculos, dava forças para o corpo seguir adiante. Ir ou desistir. Dúvida que dilacerou meu peito durante toda a travessia. E agora, ao chegar ao destino final, o alívio e o peso da sobrevivência.
domingo, 23 de agosto de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
EM TERMOS, EU
A porta entreaberta.
A escada iluminada até a metade.
Um vulto.
Metade: desconfio quem seja.
A outra: desconheço.
Um espelho com um corte ao meio.
Aproximo-me dele à meia luz.
Um espelho quebrado.
Uma imagem desfocada.
Ali, as duas sombras saem de mim.
A escada iluminada até a metade.
Um vulto.
Metade: desconfio quem seja.
A outra: desconheço.
Um espelho com um corte ao meio.
Aproximo-me dele à meia luz.
Um espelho quebrado.
Uma imagem desfocada.
Ali, as duas sombras saem de mim.
domingo, 12 de julho de 2009
Perfume
Perfumosa,
Rosa.
Sinto seu perfume por alguns minutos,
Mas, logo a seguir, você o recolhe.
E ainda acha graça.
Vagarosa
Rosa.
Você demora.
No aparecer e no desaparecer.
E eu tardo também, caminhando pelos roserais.
A procura de eternizar seu perfume em mim.
Rosa.
Sinto seu perfume por alguns minutos,
Mas, logo a seguir, você o recolhe.
E ainda acha graça.
Vagarosa
Rosa.
Você demora.
No aparecer e no desaparecer.
E eu tardo também, caminhando pelos roserais.
A procura de eternizar seu perfume em mim.
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