segunda-feira, 7 de setembro de 2009

E se sesse?

Muitas e muitas vezes volto àquela cadeira. Estou sentada a sua frente, imóvel. Esperando as palavras que sei que não quero ouvir. Inerte na iminência de viver o que não planejei para nós. Sentindo escorrer pela minha face toda a esperança de que eu tivesse entendido tudo errado. Esperando que o seu silêncio dissesse outra coisa. Ou que pelo menos suas palavras contradissessem o seu silêncio de dias.

Por todas as vezes que ali volto em pensamento, desejo ter a força que não tive quando de corpo presente ali estive.

Será tarde para perguntar?

Segura a minha mão?

Caminho, passos largos, com estas dúvidas. E quando vejo, já estou sentada novamente naquela cadeira.

Sobre vida.

Meus sapatos estão enlameados. Trazem as marcas do último caminho que trilhei. Um caminhar difícil, entre o prosseguir e o afundar. Cada passo, uma decisão. O andar dificultado por troncos, restos de animais, plantas e pela própria lama. A cabeça, buscando escapar de todos esses obstáculos, dava forças para o corpo seguir adiante. Ir ou desistir. Dúvida que dilacerou meu peito durante toda a travessia. E agora, ao chegar ao destino final, o alívio e o peso da sobrevivência.

domingo, 23 de agosto de 2009

Lunar

Luar,
Hoje, meia lua.

Luar,
Hoje, breve eclipse.

Luar,
Hoje, lua inteira.

Luar,
Hoje não, elipse.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

EM TERMOS, EU

A porta entreaberta.
A escada iluminada até a metade.
Um vulto.
Metade: desconfio quem seja.
A outra: desconheço.
Um espelho com um corte ao meio.
Aproximo-me dele à meia luz.
Um espelho quebrado.
Uma imagem desfocada.
Ali, as duas sombras saem de mim.

domingo, 12 de julho de 2009

Perfume

Perfumosa,
Rosa.
Sinto seu perfume por alguns minutos,
Mas, logo a seguir, você o recolhe.
E ainda acha graça.

Vagarosa
Rosa.
Você demora.
No aparecer e no desaparecer.
E eu tardo também, caminhando pelos roserais.

A procura de eternizar seu perfume em mim.

domingo, 28 de junho de 2009

Escorregadio

Difuso.

Tudo ficou pra depois de amanhã.

Conserta o seu relógio.

Volta os ponteiros.

Enrola o tempo de não nós.

Bússola equivocada.

Errou a direção.

Aqui do alto é difícil não temer a queda.

O chão parece longe, mas é logo ali.

Para isso, é só cair.

E para cair, basta um segundo.

sábado, 27 de junho de 2009

Gica

Um lado.

Um mar.

Distâncias infinitas.

Outro lado.

Mas está aqui dentro.

Ainda ouço suas gargalhadas.

Sua amizade navega meu coração.

Dentro.

Muito além-mar.