quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Reco-reco

Reverbero.
Repercuto.
Reintegro.
Reapareço.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

RG

Naquela ficha eu tinha que inserir um dado que indicasse meu local de trabalho. Sem aquilo eu não poderia continuar o cadastro. Sem aquele campo eu não seria ninguém. Seria como se eu passasse pela rua, em meio a uma multidão de pessoas e ninguém me visse. Ninguém me considerasse. Ninguém me tratasse como um ser igual. Aliás, no caso específico eu seria o ninguém. E não os outros. Os outros teriam nomes, sobrenomes e profissão. Eu não. Eu seria um ninguém desabrigado de mundos, de histórias, de desejos, de sonhos. Quer dizer, de sonhos não. Teria um sonho obrigatório: o de um emprego. Não o de algo que me realizasse como ser que, afinal, não era. Mas que honrasse meu nome no trabalho. Em algum escritório, empresa, repartição, rua, no que fosse, mas que tivesse horas dedicadas a tarefas cotidianamente repetidas para eu conseguir o dinheiro que me garantisse o pão. Caso contrário, seria eternamente um troço qualquer a ser observado com a piedade alheia que nunca é tão piedosa assim quando não se remete a si própria. Mas no momento em questão, eu não tinha o que preencher naquele campo. Rasguei a folha, joguei-a no lixo, e caminhei pela rua. O estranho é que no meu caminho de volta ninguém esbarrou mesmo em mim.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sub-tilezas.

Os dias passam e eu já não me reconheço. Tenho um buraco no lugar onde um dia já fui eu. As escadas que subo parecem mais longas. Na verdade, elas parecem não ter fim. Arde em mim um desejo de buscar a mim mesma, de saber aonde devo ir para isso, mas minhas pernas andam a esmo. Não há direção possível. E todas as direções possíveis resistem. Minhas contradições me agridem e me libertam ao mesmo tempo. A minha culpa estrangula o meu desejo de voar. O meu cansaço transborda da minha falta de ilusões. E minhas pernas continuam desembestadas rumo ao nada. Visto máscaras que não me preenchem. Mas que, ao menos, me apresentam ao mundo. De resto, gosto do meu quarto. Gosto de minha reclusão. No entanto, chega uma hora em preciso sair. E para onde mesmo? Não sei de respostas. Quando as recebo, nunca as entendo. Gostaria de decifrar ao menos uma. Só para poder embaralhar ela mesma, novamente, dentro de mim. Para que ela se transformasse, depois, em mais uma pergunta não respondida. Queria encher minha mão de sonhos outra vez. Mesmo que eles sempre escorram dela, por entre cada um de meus dedos. Sigo outra vez as minhas incertezas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

XXXXXXXX

- Xiii! Minha inspiração caiu!


- Ali, pega, pega, pega!!


- Xiii, sumiu...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

OS (IN)EXISTENTES

Incertitude.
Incostume.
Indecidível.
Inclausurável.
Inajeitável.
Inindireitável.

Incompreendidos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tropeço

Andava rindo à toa.
Tropeçou em uma pedra.
Fechou de vez a boca.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

VVNV

Vôo.
Voou.
Ainda não vou.